PSDB Sindical perde disputa por categorias e não vinga

Criado em agosto de 2011, o PSDB Sindical não deslanchou e perdeu todas as eleições nas principais entidades trabalhistas em Minas. Em alguns pleitos, o partido não conseguiu nem formar uma chapa de oposição para a disputa.

Articulado pelo presidenciável Aécio Neves, o PSDB Sindical foi idealizado para combater a influência do PT nos movimentos de trabalhadores. Apesar da aproximação com a Força Sindical – uma das principais centrais do Brasil, hoje, ligada ao PDT -, o senador não conseguiu reverter o cenário de domínio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, entidade que, historicamente, tem relações umbilicais com o PT.

Na eleição do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), no Vale do Aço, que possui 13 mil filiados, a derrota tucana foi a mais emblemática. O candidato da Força perdeu a eleição, realizada em janeiro, encerrando 27 anos de domínio. A CUT comandará o sindicato a partir de junho.

Nos pleitos do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (SindUte) e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética e dos Trabalhadores da Indústria de Gás Combustível de Minas (Sindieletro), realizados em 2012, o PSDB Sindical não conseguiu sequer lanças chapas de oposição para concorrer, o que facilitou a vitória dos cutistas.

No disputa pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas (Sindágua), o braço tucano também apoiou um candidato, que, igualmente, não venceu.

Avaliação. O dirigente do PSDB Sindical e presidente licenciado da Força Sindical no Estado, Rogério Fernandes, não acredita que o partido tenha sofrido derrotas. “Não conseguimos articular as chapas, ou seja, não concorremos. Em Ipatinga, o candidato é ligado ao PDT. Não foi o PSDB que participou”, rechaçou.}

Fernandes afirma que o PSDB Sindical está crescendo. Para comprovar a tese, ele usa como argumento o fato de o núcleo tucano ter levado à vitória seis vereadores no interior de Minas no ano passado e estar presente em 24 Estados.

O dirigente já planeja formar oposições para disputar as próximas eleições sindicais no Estado. “Esses sindicatos estão sob influência da CUT há muitos anos, e montar uma oposição forte demanda tempo”, enfatizou.

ANÁLISE
Estratégia não é unanimidade
O PSDB, por sua trajetória, não possui o “DNA trabalhista” para favorecer seu braço sindical. Por conta de seu posicionamento político na história recente do país, a legenda afugenta a participação trabalhista.

O diagnóstico é do cientista político Rudá Ricci, para quem o PSDB nasceu como uma sigla institucionalizada, e não por força de movimentos populares.

“A legenda tem a característica de ter profissionais da política. Os seus líderes não surgiram de movimentos sociais, e muitos caciques não veem com bons olhos essa abertura. Isso implicaria a redistribuição do poder, e alguém teria que perder espaço”, ressalta.

Ee também afirma que a proximidade do PT com o sindicalismo é um empecilho para o crescimento sindical tucano. “O PT surgiu com naturalidade junto com os sindicatos. São muitos anos de articulação. Com o partido no poder do país, as entidades ganharam ainda mais força, e, agora, o partido tem uma máquina a seu favor. É muito difícil reverter esse quadro”, sustenta.

Apesar das dificuldades do PSDB em aderir ao sindicalismo, Rudá Ricci analisa que a iniciativa de Aécio Neves de criar o segmento foi acertada. Isso porque ele entende que, depois do governo Lula, os sindicatos ganharam mais recursos financeiros e capital político. “Ele sabe que não é possível governar sem o apoio do setor. Mas, para dar certo, outros tucanos precisam compreender isso também”. (GR)

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