COLARINHOS BRANCOS E TOGAS NEGRAS

“Justiça no Brasil só se aplica aos três “Pês”: preto, putas e pobres”. – Ditado popular brasileiro do qual eu discordo, pois se forem pretos e putas ricos não irão para a cadeia. Mas os pobres realmente verão o sol nascer quadrado, mesmo sendo lourinhos iguais a dinamarqueses.

Não faz muitos anos não! Se este velho repórter investigativo não está sendo traído pela memória – creio firmemente que não – em Uberaba, Triângulo Mineiro, uma anciã foi detida e levada à prisão porquê o filho dela não pagou a pensão alimentícia que ele devia ao neto da mesma.

Clap. Clap. Clap. Mas o deputado José Genoino, de cueca imaculadamente limpa, sem nenhum vestígio dos cem mil dólares com os quais o irmão dele foi preso em um dos aeroportos brasileiros, assumirá hoje o seu mandato, mesmo condenado a seis anos e 11 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal – STF – prevendo que somente daqui a um ano ele será cassado pelos crimes que cometeu durante o Mensalão do PT, razão da sua condenação. Isto é, se a Câmara dos Deputados decidir cassá-lo.

Clap. Clap. Clap.

Aplausos válidos! Não para ele, mas para a ex-ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon que denunciou a existência de “bandidos de toga”, tempos depois que o atual ministro do STF, Joaquim Barbosa, em debate televisivo para todo o Brasil afirmou com todas as letras que o ministro Gilmar Dantas, segundo o jornalista Ricardo Noblat, “tem capangas”.

O escritor e jornalista Roberto Drumond, hoje transformado em saudade de bronze a pastorear os que passam pela Praça da Savassi, um dos cartões postais de Belo Horizonte e onde estão construídos os “bidês” implantados pelo prefeito Márcio Lacerda, o Clovis Bornai da quarta feira de cinzas, ao custo de 16 milhões de reais, quando a cidade não dispõe de saúde pública, segurança e educação adequada, em sua paixão pelo Clube Atlético Mineiro disse em uma de suas crônicas que “Se em uma noite de tempestade o atleticano ver uma camisa preta e branca no varal ele torce contra o vento”, metáfora de uma poesia de alto nível, somos obrigados a abrir um parêntesis.

É porque existindo “bandidos de colarinho branco, imaculadamente limpos como se lavados com Rinso”, o alvejante mais antigo que conheço, e de olhos azuis, mais os “bandidos de toga”, que são pretas, fico a pensar se em uma noite de tempestade não exista alguém a torcer pela marginalidade de todos os níveis vendo certas camisas brancas e togas negras dependuradas num varal em noites de tempestades.

E é necessário que os atleticanos não tenham a frase poética cunhada por Roberto Drumond ao fogo da paixão clubística gravada nas memórias profanadas. Não sou atleticano. Futebol se em algum momento da minha vida já o foi, hoje não é mais a minha praia. Mas pertenço à torcida organizada da poesia, aquela que não marca brigas pela internet, não atira nos outros e em termos de torneios, prefere os florais.

Clap. Clap. Clap. José Genoino será deputado. Condenado por sinal. Se eu fosse do Comando Vermelho ou do PCC lançaria Fernandinho “Beira Mar” ou “Marcola”, desde que os mesmos não estejam em débito com pensões alimentícias. Mercado de vendas de sentenças existe, caso contrário a meritíssima ministra ex-corregedora nunca falaria de “bandidos togados”.

Nem o ministro Gilmar Mendes estaria envolvido em listas de corrupções eleitorais, como atesta a Polícia Federal, dando razão às denúncias da “Carta Capital” e aos exemplos de jornalistas que são o Mino Carta e o repórter Leandro Fortes. Nem haveria tantos processos a atravancar a vida do blogueiro Paulo Henrique Amorim com sua “Conversa Afiada”, nunca “fiadas”.

Genoino em sendo parlamentar é outra coisa. Ele disporá de prerrogativas e isto pode servir de atalho para que muitos outros tentem se evadir das condenações, buscando formulas mágicas para saírem ilesos de tantos crimes, inclusive, por antecipação, evitando que os criminosos sejam julgados por crimes semelhantes. Existira sempre “o jeitinho brasileiro”.

Imagine se Marcos Valério Fernandes de Souza tiver de ser julgado em Minas Gerais, com todo um aparato de proteção a seu favor para igualmente beneficiar outros? E se ocorrer o mesmo que ocorre com o detetive particular e teólogo Reinaldo Pacífico que foi condenado há 14 anos de prisão em regime fechado  por ter assassinado a ex-modelo Cristiane Aparecida Ferreira, “mula do mensalão”, envolvida em sexo grupal com o ex-ministro do Turismo do governo Lula,  Walfrido dos Mares Guia, o presidente da Cemig, Djalma Moraes e o ex-governador Newton Cardoso, conforme degravações do advogado Joaquim Engler Filho?  Eu cobri o júri desse assassino condenado pelo promotor Francisco Santiago e ouvi o pronunciamento da sentença. Mas ele está solto depois de brutalmente tirar uma vida. Mas certamente não deve pensão alimentícia.

Da minha parte, prefiro a punição de todos os envolvidos no Mensalão do PT; no Mensalão do PSDB Mineiro; na Lista de Furnas; e nas falcatruas da dupla Aécio Neves e sua irmã Andréa Neves. Verdade que sonho com o dia em que não haja corrupção, mas enquanto isto não ocorre, que pelo menos seja banido do território brasileiro a impunidade. Se tiver de existir colarinhos, que todos sejam “Verdes que te quero verde” no dizer de Garcia Lorca, pois afinal de contas a “Esperança”, última herança de Pandora, igualmente é a única que nunca morre.

 Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas.

geraldo.elisio@novojornal.com

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