Detento denuncia que fuga foi facilitada por agentes penitenciários e que presos são espancados na Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves

Duas graves denúncias foram feitas por um dos detentos que fugiram do Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, na noite desse domingo (8). De acordo com Glaysson Ferreira Silva, que cumpre pena por tráfico de drogas, a fuga foi facilitada por seis agentes penitenciários, que teriam recebido dinheiro dos presos.

Ainda segundo Glaysson, integrantes do Grupo de Intervenção Tática (GIT) têm o hábito de insultar e espancar os detentos do centro de reclusão. As agressões estariam ocorrendo há sete meses e, conforme o detento recapturado, vários colegas de cela dele já tiveram membros do corpo quebrados pelos agentes. Por meio de nota, a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) informou que as últimas equipes da segurança que estavam de plantão serão ouvidas e que será aberto procedimento interno para apurar o ocorrido.

Além de fazer essas denúncias, Glaysson revelou detalhes sobre a fuga. Segundo ele, 12 presos da sala 7 do pavilhão 6 estavam há 45 dias cavando um túnel em uma área externa do presídio, que é usada para descarga de alimentos e objetos. O buraco aberto tem 15 metros e 60 centímetros de comprimento e 80 centímetros de diâmetro.

Conforme o detento, toda a terra, que ocuparia a carroceria de três caminhões, foi escondida dentro da cela. Todos os dias, os detentos prensavam a terra em cima das beliches e no chão do banheiro. Devido ao armazenamento do material, os presos ficaram esses 45 dias sem tomar banho na cela e dormindo no chão. De acordo com Glaysson, a vistoria periódica no pavilhão teria sido suspensa devido ao pagamento que os agentes receberam.

Glaysson Ferreira Silva foi recapturado às margens da BR-040, bem perto do presídio. Um casal de irmãos e um cunhado do detento foram presos, uma vez que são suspeitos de terem tentado dar fuga ao parente. O trio foi detido também na BR-040. O detento escondeu embaixo de um caminhão. Ao ser questionado sobre o envolvimento dos seus parentes com a fuga, Glaysson afirmou aos policias que o trio só foi até ao local porque ele inventou uma história para o dono do caminhão e o pediu para ligar para a sua família. Porém, a polícia não acredita na versão.

O outro detento recapturado foi localizado em uma mata próximo ao centro de reclusão. Em meio ao mato, os policiais encontraram um uniforme da Suapi e um celular, no qual foi encontrada uma SMS com o seguinte conteúdo: “Vem no sentido de Neves porque BH está lombrado”. Quem enviou a mensagem foi uma pessoa com apelido de “Boca”, que ainda não foi identificada ou presa

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