Novo recurso complica situação de comparsas do goleiro Bruno

Ex-namorada de Bruno, Fernanda está em liberdade
ALEX DE JESUS – 20.7.2010
Ex-namorada de Bruno, Fernanda está em liberdade

Enquanto os advogados do goleiro Bruno e dos comparsas de crime contra Eliza Samudio se desdobram para conseguir a liberdade do ex-jogador e dos outros suspeitos pelo assassinato, o Ministério Público Estadual (MPE) acaba de oficializar no Tribunal de Justiça um recurso para que outros quatro acusados, atualmente em liberdade, também respondam pelo homicídio, ocorrido em junho de 2010.

O embargo de declaração, protocolado no último dia 13, é um pedido para que o Tribunal de Justiça analise a decisão da juíza Marixa Rodrigues, que livrou Dayanne Rodrigues, ex-mulher do goleiro, Fernanda de Castro, namorada de Bruno à época do crime, o amigo do jogador, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e o caseiro do sítio onde Eliza foi mantida em cárcere, Elenílson da Silva, da acusação de homicídio.

Essa é a segunda tentativa do MPE em reforçar as acusações contra todos os envolvidos no caso. O primeiro pedido foi negado em agosto de 2011, pelos desembargadores Doorgal Andrada, Herbert Carneiro e Delmival de Almeida Campos, também do Tribunal de Justiça. No recurso, a Procuradoria de Justiça de Recursos Especiais Extraordinários Criminais do MPE considera que houve “omissões e obscuridades” na pronúncia da juíza, em dezembro de 2010.

O parecer sobre o embargo está previsto para ser julgado na próxima quarta-feira, pelos desembargadores Herbert Carneiro (relator), Eduardo Brum e Júlio Cezar Guttierrez, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça. Caso a Justiça mineira não mude sua decisão, o MPE ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Se a decisão for alterada, os quatro alvos do recurso poderão ter o futuro penal bastante alterado. Acusados pelos crimes de sequestro e extorsão, com penas máximas previstas de até três anos, Fernanda, Dayanne, Coxinha e Elenílson podem ser condenados a até 20 anos de cadeia.

O recurso do MPE afeta ainda o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Já acusado pelo homicídio, Bola poderá responder pelo assassinato “qualificado e por motivo torpe”. A pena, nesse caso, aumentaria de seis a 20 anos para a condenação mínima de 12 anos. A pena máxima chegaria a 30 anos de prisão.

Em relação a Dayanne, a procuradoria acredita que ela tinha interesse direto na morte de Eliza. No caso de Fernanda, pesaram os telefonemas dados a outros envolvidos, o que demonstraria, segundo o MPE, que ela sabia que o crime seria cometido.


Acusações

Cárcere. O Ministério Público acusa Elenilson Vítor e Wemerson Marques (Coxinha) de participarem do plano para matar Eliza. “Eles sabiam que ninguém poderia ver a vítima, exatamente porque ela seria morta”, diz o MPE.

FOTO: ALISSON GONTIJO – 18.2.2010

Dayanne diz que apenas cuidou do bebê de Eliza
ALISSON GONTIJO – 18.2.2010
Dayanne diz que apenas cuidou do bebê de Eliza
Dayanne
“Fico triste com isso”, diz ex-mulher do goleiro
A ex-mulher do goleiro Bruno Fernandes, Dayanne Rodrigues, ficou surpresa ontem ao saber da intenção do MPE em acusá-la de homicídio. “Fico triste por estar, mais uma vez, envolvida com essa situação. Apenas cuidei do Bruninho (filho de Eliza) e mais nada. O Bruno sabe o que me pediu. Estou aqui batalhando para cuidar das minhas filhas”, disse Dayanne, que não quis responder a outras perguntas. Ela tem duas filhas com o goleiro.

Já o advogado Ércio Quaresma, que defende o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, disse acreditar que não há provas para que o motivo torpe seja incluído na acusação, conforme pede a procuradoria. Para ele, o Bola nem sequer cometeu o crime. “A testemunha do caso (o adolescente, primo de Bruno) disse que o matador era um homem negro, de 1,80 m de altura e calvo. Essas características não batem com o perfil de Bola”, afirmou.

Os outros acusados citados pelo MPE não foram localizados para comentar o novo recurso. O embargo foi protocolado um dia após repercutir na imprensa a nova versão da defesa do goleiro Bruno de que Macarrão, braço-direito do goleiro, teria matado Eliza por ser apaixonado pelo jogador. (Gabriela Sales/LC)

Defesa poderá se beneficiar
Enquanto houver recursos em aberto no processo sobre a morte de Eliza Samudio, os oito réus no processo não poderão ser julgados. Para o criminalista Adilson Rocha, as investidas por parte da acusação e até mesmo da defesa só fazem atrasar o júri.

Segundo ele, os recursos podem beneficiar os acusados. “Esses recursos servem de motivação para que a Justiça conceda os habeas corpus, já que os acusados estão presos há quase dois anos. É como se eles estivessem cumprindo a pena antes do julgamento, o que não é permitido na lei”, explicou. (LC)

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