Operações da Polícia Federal em Minas resultaram em nada

 Pelo menos dez operações da Polícia Federal (PF) realizadas nos últimos seis anos em Minas tiveram agentes públicos como seus principais personagens. As ações policiais desbarataram desde esquemas mais simples como conexões complexas entre prefeituras, parlamentares e a iniciativa privada.
No entanto, hoje, nada ocorreu aos suspeitos e, o mais grave, muitos deles ainda ocupam cargos eletivos. Um delegado da PF em Belo Horizonte informou que não tem conhecimento de que investigados nas três principais operações deflagradas – Sanguessuga, Pasárgada e João de Barro – estejam presos.

Após o trabalho que pôs fim à máfia dos sanguessugas, em 2006, 39 dos suspeitos já se candidataram e muitos venceram eleições enquanto respondem às acusações. O deputado federal João Magalhães (PMDB-MG) foi um dos alvos da empreitada. Mas, no último dia 3, o Supremo Tribunal Federal arquivou a denúncia contra ele por falta de provas.

O peemedebista foi investigado ainda pela operação João de Barro. Entretanto, por todos esses anos, continua no Congresso, tendo sido reeleito em 2010. Outros dois deputados conseguiram renovar seus mandatos, mesmo denunciados: Jaime Martins Filho (PR) e Ademir Camilo (PSD).

Demora. Enquanto a soltura dos investigados presos pela PF é normalmente imediata, o desenrolar dos processos na Justiça anda a passos de tartaruga. A operação Pasárgada, desencadeada em 2008, executou 50 mandados de prisão. Mas as primeiras ações por improbidade foram ajuizadas pelo Ministério Público Federal (MPF) três anos depois.

O problema é que, quanto mais complexo o esquema e maior o número de réus, menos os resultados aparecem. A infinidade de recursos apresentados pelas defesas e os desdobramentos das ações esbarram na falta de estrutura no Judiciário.

O direcionamento dos casos para foros privilegiados, por exemplo, “dá causa a atrasos”, destaca o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso. “A vocação dos tribunais é para decidir sobre recursos. Eles não têm estrutura para realizar instruções. Isso colabora para a lentidão”, afirmou. A fase de instruções engloba, por exemplo, a inquirição de testemunhas das partes.

Criatividade dos nomes são um “show à parte”

Independentemente do estardalhaço ou da frustração posterior, as operações da Polícia Federal sempre se destacaram por seus nomes. Trocadilhos, personagens mitológicos ou verdadeiras charadas batizam as iniciativas. O trabalho é feito pelos próprios delegados. O objetivo é que as denominações façam alguma referência ao caso investigado, mas, ao mesmo tempo, mantenham-no em sigilo. O marco foi a Arca de Noé, a primeira a ser registrada, em 2002.

Já houve boatos de que havia um delegado designado nacionalmente para nomear as iniciativas. O criativo em questão seria o amazonense Zulmar Pimentel, que jamais admitiu as autorias. Ironicamente, ele acabou afastado em consequência de uma das operações da PF, a Navalha, de 2007. (João Gualberto Jr.)

“Estrutura”
Acompanhar a tramitação é impossível
“Não temos estrutura para fazer esse tipo de levantamento”. Foi essa a frase mais ouvida dos órgãos públicos federais pela reportagem, que buscou saber o andamento dos processos resultantes das principais operações da Polícia Federal em Minas. A resposta demonstra, ao mesmo tempo, o prejuízo causado tanto pela fragmentação das ações e o rito sigiloso quanto pela fragilidade da estrutura dos órgãos.

Na PF da capital, não houve sequer retorno sobre, por exemplo, a permanência de suspeitos presos. Já no Ministério Público Federal, a orientação foi que buscasse dados no índice de notícias do portal. (DL)

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