Telespectador não aceita mais a banalização da televisão

o apelo sem escrúpulos pela audiência vem sendo rechaçado pelo telespectador brasileiro, como se pode deduzir das reações da opinião pública, nos jornais e nas redes sociais, sobre esse suposto estupro que teria ocorrido dentro da casa onde se realiza a 12ª edição do Big Brother Brasil.

O caso em si está mal explicado, camuflado, pouco transparente, o que dá margem a várias interpretações, como a de que pode ter sido uma tentativa desesperada da emissora em melhorar a audiência.

O fato é que caiu na boca do povo, mas, aparentemente, o Ibope não registra nenhum aumento de interesse por parte do público.

A indignação ao apelo baixo é o que fica do ocorrido. O telespectador não aceita mais a falta de limites, que teria de ser estabelecida pelo bom senso, não pela censura pública, como no passado.

A grade contendo esse tipo de entretenimento já foi superada há muito pela internet. Não há o que se faça debaixo dos edredons que não possa ser encontrado à exaustão na rede pública, sem censura. Portanto, insistir na banalização é sinal de decadência, de falta de imaginação, de pouco caso com a inteligência do telespectador.

A decadência da emissora que se dispõe a comprar e produzir um programa como esse pode ser medida nos números. Nos últimos anos, outras têm ganhado espaço com programas mais inteligentes, mais produtivos, menos apelativos quanto às situações forçadas de sexo fácil sem sentido.

Daí a reação imediata da opinião pública, que começou na madrugada e se espalhou como pólvora pelas redes sociais, ganhando até o noticiário policial.

A baixaria pode até vender em determinados nichos, mas, com certeza, não soma nada ao anunciante, que busca associar o seu nome a uma programação de qualidade. Muitos que assinaram contratos milionários com esse programa furado devem estar hoje arrependidos.

Aliás, no Brasil, a opinião pública está saturada de muita coisa, como se vê aqui mesmo na nossa seção de cartas ao leitor. Está cansada da corrupção e não perdoa mais essas tentativas de levar vantagem em tudo como essa feita pelos vereadores de Belo Horizonte, que aprovaram um aumento de 61,8% nos salários de R$ 9.288,05 para R$ 15.031,76. Enquete colocada ontem no portal do Hoje em Dia revelou números surpreendentes: 98% desaprovam o aumento, índice pouco usual em consultas como essa.

No caso da emissora, que já vendeu o espaço até março, os telespectadores terão que mudar de canal. Afinal, é grande hoje o número de opções e fácil demais apertar o botão do controle remoto. No caso dos vereadores, o prefeito de Belo Horizonte parece disposto a lavar as mãos. Quando a matéria voltar à Câmara, os vereadores arrependidos podem tentar reverter a situação. Ou fazer de conta que não é com eles. Nesse caso, o aumento vai se transformar em lei. O morador da capital, que paga impostos em dia, vai engolir mais uma dos políticos.

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