Como estes projetos de lei podem nos afetar?

SOPA e PIPA
Como estes projetos de lei podem nos afetar?
20/01/2012 08:43h

 Muitos internautas estão preocupados com o possível bloqueio de sites que comercializam conteúdos piratas, sejam eles músicas, filmes, livros ou outros produtos. E neste meio estão as redes sociais e até mesmo o Google, considerados canais de divulgações publicitárias e links destes tipos de sites.

O SOPA e o PIPA, siglas de “Stop Online Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act”, são projetos de leis frutos das brigas das indústrias fonográficas e cinematográficas dos Estados Unidos, que acreditam na sua recuperação caso sejam bloqueadas e punidas as pessoas produtoras de conteúdos online piratas.

Anteontem, dia 18 de janeiro, muitos sites americanos fizeram um blecaute com a intenção de esforçar os internautas a procurarem um membro do Congresso do local onde eles moram e pedirem que eles votem contra a lei PIPA no dia 24, quando será a votação no Senado pelas autoridades. Quanto ao SOPA, ele já está em tramitação na Câmara dos EUA.

O Google foi um desses sites que aderiram à ideia e durante toda a quarta-feira substituiu os seus doodles por uma tarja preta ilustrando a possível censura. Além disto, ele trouxe em sua página os dizeres: “Membros do governo estão fazendo o certo em procurar os piratas e falsificadores, mas as leis SOPA e PIPA não são a forma correta para se fazer isso”.

O Megaupload, o maior site de compartilhamento online, já foi fechado e o seu fundador, Kim Dotcom, preso na Nova Zelândia. Isto causou alvoroço no mundo todo, inclusive no Brasil, onde circularam diversas manifestações em blogs, redes sociais, entre outros. Houve até retaliação, feita pelo grupo de hackers Anonnymous, que invadiu sites do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e da gravadora Universal Music. Em seu Twitter (@AnonOps) eles dizem lutar pela “liberdade na internet”.

A visão dos profissionais diante destes projetos de leis
Para Anthony Taliercio, executivo sênior da PEER1, uma das maiores empresas de hospedagem do mundo, com 20 mil servidores e datacenters distribuídos em 13 cidades dos EUA e Europa, atualmente há leis que permitem às companhias de mídia os direitos de controlar os seus conteúdos online. “Empresas de hospedagens na web respondem às notificações de DMCA (Digital Millennium Copyright Act, ou Direitos Autorais, em português) para ajudar a combater o uso de dados proibidos. SOPA e PIPA são caminhos que eu considero potenciais abusos de poderes”.

Ele complementa: “Imagina quanto ao vídeo do seu casamento, se a música de fundo é do Elton John e aparece você e o seu amor descendo um corredor. Então, você posta o vídeo no YouTube para todos os seus amigos e familiares verem. É possível que ele seja visto como ilegal e uma petição poderia fazer com que ele fosse deletado. Tudo porque uma canção tocou de fundo. Nossas melhores lembranças serão apagadas para sempre!”.

Como sugestão de mobilização, o americano sugere que as pessoas devam contatar o máximo de pessoas possíveis, seja pela internet, por telefone ou pessoalmente. “Quanto mais contatos você fizer, mais todos irão entender quão importante esta questão é. Outra atitude que você deve ter é a de entrar em contato com as companhias de apoio ao SOPA e ao PIPA e fazê-los saber que você deixará de utilizar os seus serviços!”.

O que os internautas brasileiros pensam sobre isto?
É claro que toda medida tomada no “território do Tio Sam” repercutirá e afetará a vida cibernética do Brasil. Por exemplo, caso sejam aprovados estes projetos, os sites que infringirem as leis poderão ser fechados e até mesmo os devidos organizadores serem punidos a uma prisão que poderá chegar a cinco anos. E junto disto muitos sites, entre eles as redes sociais, serão apenas lembranças.

E como o pessoal daqui está vendo tudo isto? O estudante Guilherme Casciano postou em seu Facebook que a alienação brasileira é preocupante. “Enquanto alguns discutem signos, Big Brother Brasil, a Luíza e tudo o mais, ficam lunáticos diante da realidade do que está rolando: a maior ‘Guerra Cyber’ da história. E dia 24 o ‘bicho vai pegar’ nos EUA pela votação de duas leis que acabarão com toda a sua diversão na internet. Gosta de postar vídeos? Fotos dos seus artistas preferidos? Baixar músicas? Filmes? Esqueça tudo isso do dia 24 em diante”.


Manifesto sobre a queda do Megaupload
circulando nas redes sociais

A dentista Fabiana Cunha, que se considera viciada em redes sociais, também está preocupada com esta situação. “Imaginar a vida sem a Wikipedia, o Facebook, o YouTube, entre muitos outros, é algo surreal. Estes sites já fazem parte do nosso cotidiano e se eles saírem do ar, acredito que todos nós também iremos sair juntos. Já estamos condicionados a eles para fazermos pesquisas, nos relacionarmos socialmente, buscarmos aquele vídeo antigo ou a novidade de determinado artista, enfim, tirar este ‘vício’ da gente será algo até traumático”.

Embora alguns nem saibam sobre este acontecimento em nosso País, muitos se pronunciaram, a imprensa brasileira não está deixando o assunto passar em branco e um internauta foi até radical e mal-educado em sua postagem no Facebook no dia do blecaute, mas aderiu a um monte de adeptos em seus compartilhamentos. “Repassem a ideia, vamos contra essas leis que prejudicam nosso direito de ir e vir, compartilhem, avisem os amigos. Não só eu agradeceria, como o mundo inteiro, que vai sofrer com essas leis porcas. Por uma internet livre!”.

Enfim, enquanto alguns esperam para ver o que acontecerá, outros se mobilizam do seu jeito e fazem na internet, mais especificamente por meio das redes sociais, um “barulho” diante desta situação. Ironia do destino ou não, são estes mesmos meios que estão dando o “poder da palavra” a todos que estão ameaçados pelos projetos de leis em questão.

Combater a pirataria é plausível, mas há um limite entre esta intenção e a vida de cada pessoa que está conectada diante de um computador. As grandes empresas do entretenimento realmente tem poder, mas até onde elas podem querer mandar em tudo? E a liberdade de expressão de cada pessoa, onde fica? É um caso para se pensar. E muito!

Por Priscilla Silvestre

Anúncios
Esse post foi publicado em Notícias e política. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s