Verba para a madrasta

Vereador Léo Burguês assegurou na semana passada que busca o menor preço para escolher os fornecedores
O presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), tem justificado o gasto de parte da verba indenizatória – destinada a cobrir custos com o mandato – com notas fiscais emitidas pela minimercearia e bufê de sua madrasta. Desde agosto de 2009 – quando a Casa começou a divulgar os gastos dos parlamentares -, o tucano declarou ter comprado quase R$ 62 mil em lanches e refeições da empresa Trevo Salgados Congelados Ltda. A Trevo funciona no mesmo endereço da minimercearia Casa da Serra e do bufê Berenice Guimarães e é o nome de registro das lojas. Berenice, proprietária dos dois estabelecimentos em casas vizinhas na rua do Ouro, no bairro da Serra, é mulher do pai do vereador.

Do total do valor pago em mais de dois anos pelo gabinete de Léo Burguês para a empresa de sua madrasta, R$ 45 mil foram computados na rubrica “lanche”, o que dá uma média mensal de gastos de R$ 1.500. O valor seria suficiente para 3.000 coxinhas por mês. Na Casa da Serra, o cento desse salgado custa R$ 50, enquanto a média do preço no mercado é R$ 30.

O caso de Léo Burguês é semelhante ao do ex-deputado federal mineiro Edmar Moreira. Ele admitiu ter usado recurso da Câmara dos Deputados para contratar serviços de segurança de sua própria empresa. Após a investigação, a Câmara alterou a regra para uso da verba indenizatória, proibindo “expressamente” o uso do dinheiro “para pagar serviços prestados por empresas pertencentes a parlamentares ou parentes de deputados”.
Gastos
O presidente da Câmara de Belo Horizonte foi o segundo vereador que mais utilizou recursos da verba indenizatória em 2011: R$ 180,3 mil. Léo Burguês ficou atrás apenas de Edinho Ribeiro, que gastou R$ 182,54 mil, conforme a própria Casa tem divulgado desde agosto de 2009.

Burguês já é Investigado
O vereador Léo Burguês (PSDB) já é investigado pelo Ministério Público (MP) de Minas Gerais por improbidade administrativa. Em junho do ano passado, ele utilizou a estrutura da presidência para um encontro em seu apartamento, que teria cunho partidário. No café da manhã, foi lançado um bloco de 13 partidos de oposição à presidente Dilma Rousseff.

Para assessorar o evento, Burguês convocou funcionários do gabinete e o setor de comunicação da Casa. Segundo o MP, a atitude configura improbidade administrativa e pode levar à perda do cargo.

Na época, o tucano afirmou que o encontro foi para tratar de temas sobre Belo Horizonte e que não foi bancado com verba indenizatória. A assessoria de comunicação informou que uma de suas funções é assessorar o presidente, a Mesa Diretora e as diretorias em assuntos relacionados à área.

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