PE tem metade da população de Minas, mas vence no PAC 2

Símbolo. A nova planta da Fiat foi anunciada no fim do mandato de Lula, que intermediou a negociação
Minas Gerais, com aproximadamente 20 milhões de habitantes, tem mais que o dobro da população de Pernambuco. A unidade federativa do Nordeste, pequeno em termos territoriais, possui apenas 185 municípios, quase um quinto das cidades mineiras. Apesar da discrepância, os pernambucanos são mais beneficiados pelos repasses do governo federal do que o Estado natal da presidente Dilma Rousseff.

A segunda geração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), principal via de investimentos da gestão Dilma, reserva para Pernambuco contratos que somam R$ 68,61 bilhões entre 2011 e 2014. Enquanto isso, Minas contabiliza R$ 61,8 bilhões. O PAC 2 congrega as maiores iniciativas do governo, como o Luz para Todos, o Minha Casa, Minha Vida e o PAC Mobilidade.

A comparação dos números reforça a impressão deixada pela denúncia de que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), destinou, no ano passado, 90% dos recursos para prevenção de desastres naturais a seu Estado. Pernambuco ficou com R$ 25,5 milhões, e Minas, com R$ 2,8 milhões de restos a pagar de orçamentos de anos anteriores.

Por mais que o governo insista que os critérios técnicos são rígidos, os repasses sofrem influência política. O Estado mineiro é governado pelo PSDB de Antonio Anastasia, que mantém uma relação amistosa com a presidente e evita criticar possíveis “discriminações”.

Já o pernambucano tem a sua frente Eduardo Campos, presidente nacional do PSB: aliado poderoso do PT desde os tempos do governo Lula e dono de força e pretensão suficientes para se voltar contra a atual gestão.

“É natural (o peso político), mas tem um limite. É preciso que as políticas públicas sejam republicanas e democráticas”, critica o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas.

Andamento. O resumo do PAC 2 aponta distorções também em relação à situação das iniciativas nos dois Estados. Mais uma vez, Pernambuco sai em vantagem. No setor transportes, as obras concluídas representam 75% ante 57% verificadas em Minas. Nos tópicos Água e Luz Para Todos, a relação é favorável aos pernambucanos (60% a 50%), e também nos empreendimentos de geração de energia (50% e 48%).

Copa do Mundo
Próximo.
Em Pernambuco, está sendo construída a Cidade da Copa, em São Lourenço da Mata. O empreendimento conta com R$ 1,08 bilhão em financiamento do BNDES. Para Belo Horizonte, a linha é de R$ 1,42 bilhão.

FOTO: SITE MARCIO FRANÇA/DIVULGAÇÃO

Márcio França explica que bons projetos também atraíram recursos
SITE MARCIO FRANÇA/DIVULGAÇÃO
Márcio França explica que bons projetos também atraíram recursos
Destinação
Aliado reconhece influência
A influência de Eduardo Campos no governo federal traduziu-se em perdas para outros Estados. Há pouco mais de um ano, o então presidente Lula lançou a pedra fundamental da fábrica da Fiat em Suape, região metropolitana do Recife, com investimento estimado em R$ 3 bilhões e criação de 3.500 empregos.

Um “mérito” do governador, segundo o presidente do PSB em São Paulo, Márcio França. Ele avalia que as regiões Nordeste e Norte foram favorecidas nos últimos anos com investimentos federais por necessidade, mas admite que Pernambuco recebeu olhar diferenciado. Secretário de Turismo do Estado de São Paulo, ele diz que uma das razões do êxito foi a elaboração de bons projetos pelo governo. “Um projeto bem feito sai na frente de muita gente”, destacou.

Detalhes técnicos apenas, porém, não garantiriam o sucesso da administração socialista em parceria com a União. “Como o grupo do Eduardo Campos está mais ligado ao governo, ele pode até ter um pouco mais de facilidade”. (DL)

Bancadas
Execução de emendas têm outro sentido
Brasília. Quando o assunto é pagamento de emendas parlamentares de bancada, Pernambuco e Minas Gerais continuam com números díspares. Mas, nesse caso, o Estado nordestino leva desvantagem. Enquanto os deputados e senadores mineiros conseguiram a execução de 39,26% das sugestões apresentadas entre 2007 e 2011, os pernambucanos lograram apenas 0,57%.

O melhor ano para Minas foi 2009, quando obteve cerca de R$ 360 milhões dos quase R$ 668 milhões reservados no Orçamento. No mesmo período, não chegou a Pernambuco um único centavo por meio das indicações.

O Estado de Eduardo Campos (PSB) teve seu melhor desempenho em 2010, com o recebimento de 2,05% do que havia sido autorizado. Nesse ano, o Estado de Antonio Anastasia (PSDB) também teve a maior liberação bruta dos cinco anos: cerca R$ 712 milhões. (Telmo Fadul)

FOTO: BETO BARATA/AGÊNCIA ESTADO – 02.12.2011

Alvo. “Fogo amigo” que chamuscou Bezerra seria fruto da incômoda ascencão de Eduardo Campos
BETO BARATA/AGÊNCIA ESTADO – 02.12.2011
Alvo. “Fogo amigo” que chamuscou Bezerra seria fruto da incômoda ascencão de Eduardo Campos
Prestígio
Aliados teriam mirado Bezerra para acertar Eduardo Campos
Socialistas defendem candidatura em 2014, mas refutam traição a Dilma
Daniel Leite

O tratamento diferenciado que o governo federal dispensa ao PSB nos últimos dias evidenciou o trabalho de bombeiro do Palácio do Planalto. O incêndio no Ministério da Integração mostra que a visibilidade do PSB na Esplanada, especialmente a do grupo próximo ao presidente da sigla, o governador Eduardo Campos, incomoda parte da base da presidente Dilma Rousseff. A exposição do ministro Fernando Bezerra (PSB) teria, portanto, o objetivo de prejudicar Campos, pré-candidato declarado à Presidência em 2014.

As observações são do deputado federal pelo PSB mineiro, Júlio Delgado, e compartilhadas pelo vice-presidente nacional do partido, Roberto Amaral. Para ambos, a candidatura de Campos ao Planalto deve ser encarada como uma “real possibilidade”.

“Não depende só dele, mas ele trabalha com o foco de deixar isso em vista”, afirmou Delgado.
Já o dirigente está certo de que a suposta movimentação criada para prejudicar Bezerra teve a intenção de afetar o PSB, “que está crescendo muito”. Segundo Amaral, a entrada do governador de Pernambuco na próxima disputa presidencial seria “natural”. “Estamos investindo na liderança dele, como o PT investiu no Lula e, agora, na Dilma”, exemplificou.

Devolvendo a acusação de conspiração, os socialistas permitem a interpretação de que as pretensões eleitorais de seu principal líder já acenderam um sinal de alerta na base governista. “Esse tratamento que estão dando para a gente neste ano não é um gesto simpático”, presumiu Delgado, para quem a intenção é “enfraquecer a imagem” do governo pernambucano.

Traição. Belo Horizonte exemplifica bem o jogo de interesses entre o PT e o PSB. O presidente nacional petista, deputado Rui Falcão, voltou a defender, na sexta-feira, a manutenção da aliança com o prefeito socialista Marcio Lacerda, como forma de segurar a permanência do partido de Eduardo Campos na base de Dilma Rousseff até 2014.

As mesuras feitas pelo Planalto a Pernambuco, politicamente e por meio de convênios, têm o mesmo sentindo: manter Campos ao lado de Dilma e não contra ela. Mas, se apesar do trabalho de convencimento e ainda mais reforçado pelos afagos da Presidência, o governador sair candidato?

Delgado afirma que Campos é da base hoje, mas poderia, sim, “dar as costas” a Dilma. Para refutar a tese de que esse movimento seria uma traição, o deputado logo descarta a possível influência política na remessa de recursos federais. Ele afirmou que a quantia enviada a Pernambuco foi a necessária para atender às necessidades dos trabalhos de prevenção.

Governos do PSB
AP:
Camilo Capiberibe
CE: Cid Gomes
ES: Renato Casagrande
PB: Ricardo Coutinho
PE: Eduardo Campos
PI: Wilson Martins

Capitais
BH:
Marcio Lacerda
Curitiba: Luciano Ducci
João Pessoa: Luciano Agra
Boa Vista: Iradilson Sampaio

FOTO: LEONARDO PRADO/Agência Câmara – 21.12.2011

Para Delgado, atuação do PT na crise não é “gesto simpático”
LEONARDO PRADO/Agência Câmara – 21.12.2011
Para Delgado, atuação do PT na crise não é “gesto simpático”
Aproximação
Tucanos esperam que flerte se sustente
A boa relação entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), pode render frutos, neste ano, na forma de alianças entre tucanos e socialistas. A aproximação é reforçada pelo incentivo do “fogo amigo” petista criado sobre o ministro Fernando Bezerra.

Principal adversário do governo federal, o PSDB fia-se nesses acordos municipais – como em Belo Horizonte e Curitiba – para sustentá-la até 2014, ainda que hoje o PSB seja aliado de Dilma Rousseff.

O deputado federal Marcus Pestana, presidente estadual tucano, destaca que o ponto de divergência entre seu partido e os socialistas não evita que lideranças, como Campos e Aécio, mantenham uma boa interlocução. Dessa forma, Pestana cogita o pernambucano e o ex-governador de Minas no mesmo palanque em 2014. É claro, que com o tucano na cabeça de chapa.

Aliados em território mineiro, adversários em Brasília, os dois partidos farão o “jogo político” até lá, imagina Pestana: “Tudo vai depender do momento, do desempenho do governo da presidente Dilma.

Campos tem a simpatia do PSDB, que tentará convencê-lo a sustentar o flerte atual com o PSB para uma parceria mais duradoura. “É um processo. Não vai ser abruptamente (a possível ruptura de Campos com o PT e uma aliança com o PSDB)”, garantiu Marcus Pestana. (DL)

Destacados
PMDB.
Quem se destacou na defesa de Fernando Bezerra no Congresso foram os parlamentares do PMDB, principalmente os do Nordeste. Assim, tiraram de si a suspeita sobre origem do “fogo amigo”.

Petistas pernambucanos descartam interesse
Brasília. Os petistas pernambucanos alinhados ao Planalto refutam a tese de interesse político na atenção destinada ao Estado pelo Planalto. Um sinal disso veio com a declaração do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), quando do depoimento do ministro e conterrâneo Fernando Bezerra (PSB) no Congresso, na semana passada. “Vossa excelência está sendo vítima pelo fato de ser nordestino”, disse.

O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) também rejeita a acusação de que o ministro privilegiou Pernambuco em repasses de verbas. “Na verdade, a gente está a merecer um tratamento diferenciado para podermos enfrentar a questão das desigualdades regionais”, explicou.

Ferro disse ainda considerar “um absurdo” a reclamação de parlamentares sobre a concentração em Pernambuco dos empenhos para a prevenção a desastres

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