Sarney convoca comissão para ouvir Fernando Bezerra amanhã

Depoimento, Sob pressão, Bezerra disse ter procurado Sarney e pedido para prestar esclarecimentos
VALTER CAMPANATO/ABR – 9.01.12
Depoimento, Sob pressão, Bezerra disse ter procurado Sarney e pedido para prestar esclarecimentos
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Demóstenes: “se fosse a presidente, mandava todo mundo embora”
LUIZ ALVES / AGÊNCIA SENADO – 8.12.2011
Brasília. Alvo de uma série de denúncias, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, já tem data marcada para prestar esclarecimentos no Congresso. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), convocou ontem a Comissão Representativa da Casa para ouvir o ministro nesta quinta-feira.

Também ontem, o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), protocolou representação na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ministro, pedindo que ele tenha os direitos políticos cassados pelo prazo de oito anos. Além disso, Torres solicita que o ministro fique proibido de ocupar função pública.

A decisão de Sarney atende aos requerimentos do DEM, do PPS e do PSDB. Sem saída, o próprio ministro pediu ao senador para esclarecer o assunto aos congressistas.

Bezerra está sendo acusado de favorecer seu Estado, Pernambuco, com 90% das verbas da pasta destinadas à prevenção de desastres naturais. O ministro também é cobrado por ter burlado a Lei do Nepotismo ao empregar um tio na pasta e por ter mantido seu irmão Clementino Coelho na presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba.

Também pesa sobre o ministro a suspeita de que ele teria privilegiado seu filho com o maior volume de liberação de emendas parlamentares de sua pasta. Além disso, ele é investigado em ações civis públicas do Ministério Público Federal de Pernambuco e é suspeito de ter utilizado recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes.

“O ministro usou critérios ilegítimos e não republicanos nesses episódios, em clara ofensa ao dever de probidade que deveria conduzir sua atuação como agente público”, afirma Demóstenes.

O senador quer ainda que as punições previstas pela Lei de Improbidade Administrativa sejam cumpridas nos itens que tratam do ressarcimento aos cofres públicos e do pagamento das multas correspondentes.

Efeitos. O líder do DEM desqualificou os possíveis efeitos do depoimento do ministro na Comissão Representativa do Congresso, lembrando que a maioria da base parlamentar do governo fará tudo para blindá-lo. “Isso não significa nada, já vi ministro corrupto sair daqui (Senado) aplaudido e no outro dia ser exonerado pela presidente Dilma. É mais um palanque para qualquer coisa do que para se justificar. Ele tem de sair”.

Demóstenes foi ainda mais enfático: “Se eu fosse a presidente, fazia um churrasco, mandava todo mundo embora e começava a resolver o problema do Brasil”.
 

Improbidade
Socialista é investigado pelo MPF
Brasília. Além das acusações que envolvem o Ministério da Integração, o comandante da pasta, Fernando Bezerra, é suspeito de irregularidades na época em que foi prefeito de Petrolina (PE). Ele é investigado em quatro ações civis públicas do Ministério Público Federal de Pernambuco, por suspeita de improbidade administrativa.

As ações foram propostas nas últimas semanas de dezembro, quando – pelo fato de o último mandato de Bezerra como prefeito ter terminado em 2006 – vencia legalmente o prazo para eventuais processos contra sua gestão.

As irregularidades envolvem convênios com o Dnit, com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e com a empresa SP Síntese. 

Nepotismo
Pai da nora do ministro também tinha cargo
Brasília. Novas denúncias de nepotismo atingiram ontem o ministro da Integração, Fernando Bezerra (PSB), acusado de manter, sob seu comando, o pai e o tio de sua nora lotados em cargos de confiança.

Antônio de Pádua Kehrle, genro do deputado Fernando Coelho Filho (PSB-PE), filho do ministro, ocupava até dezembro a coordenação do Departamento Nacional de Obras Contra Secas (Dnocs) em Pernambuco.

Ele alega que estava no cargo desde abril de 2010, quando Bezerra ainda não era ministro, e que pediu exoneração logo após o casamento da filha, mas a substituição teria demorado “por problemas burocráticos’.

Tio da nora de Bezerra, Iran Padilha Modesto foi nomeado em maio de 2011 como representante da pasta no Estado, sem tarefas definidas. Ele não quis comentar a denúncia, e o ministro também não se manifestou.

Afastado. O irmão do ministro, Clementino Coelho, deixou ontem a presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

As denúncias de nepotismo contra Fernando Bezerra se estendem ainda ao tio do ministro, Osvaldo Coelho, membro do comitê de irrigação do Ministério da Integração.

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