Chuva em MINAS

Guidoval tem pior situação
Cenário de destruição em Guidoval
Galeria de fotos

Nivel da água segue aumentando
Nelson Batista

Até a noite de ontem, oito mortes foram confirmadas pela Defesa Civil em decorrência da chuva no Estado, sendo duas na cidade de Guidoval, na Zona da Mata, e duas em Ouro Preto, no desabamento da encosta na rodoviária da cidade. As cidades de Belo Horizonte, Reduto, Governador Valadares e Visconde do Rio Branco também registraram uma morte, cada. Uma mulher permanece desaparecida, em Santo Antônio do Rio Abaixo, e um homem também está desaparecido em Ponte Nova. Pelo menos 34 pessoas ficaram feridas. No total, mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas pelos temporais. Cerca de 10 mil ficaram desalojadas e 436, desabrigadas. Além de 66 cidades em estado de emergência, outras 53 tiveram prejuízos.

Em Guidoval, após três dias sem comida, remédios, água, luz e telefone, os moradores terão que esperar pelo menos mais três meses para que a ponte que dá acesso à cidade seja reconstruída. Enquanto isso, eles usarão a estrada rural, o outro acesso ao município. Mas antes que isso aconteça, eles também terão que esperar. Se não chover, as melhorias que começam hoje a serem feitas para permitir a passagem de carros de passeio e ônibus pelo local, ficarão prontas em cerca de três dias.

A recuperação dos dois pontos de acesso ao município foram garantidas ontem pelo governador Antonio Anastasia, que visitou a cidade. Ele também esteve em Muriaé, Dona Eusébia e Ubá, na Zona da Mata. Foram os dois únicos anúncios para a região. Anastasia afirmou que serão necessários de 90 a 120 dias para que a ponte seja reconstruída. Além da ponte, a parte baixa da cidade foi praticamente destruída. Pelo menos 50 casas desabaram com a forte correnteza do rio Xopotó.

Emergência
A Defesa Civil atualizou ontem para 66 o número de municípios que decretaram situação de emergência em Minas Gerais devido aos estragos causados pela chuva.

Recursos
O secretário Nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, que estava com o governador, disse que o governo federal aguarda os projetos para poder liberar recursos.

http://www.otempo.com.br/noticias/infograficos/chuvaBH/index.php

FOTO: CRISTIANO TRAD

Ponte foi levada pela água
Recursos vão demorar

As melhorias para as cidades atingidas pela chuva dependem de um rito burocrático. A Defesa Civil deve concluir um levantamento de prejuízos para que um projeto de intervenções seja feito e sejam pleiteados recursos junto ao governo federal para execução das obras. “Guidoval foi a cidade que acumulou mais prejuízos, mas as outras também precisam de ajuda e estamos empenhados em minimizar as perdas e restabelecer a normalidade nesses municípios”, afirmou o governador Antonio Anastasia. Segundo ele, somente após o estudo da Defesa Civil, que vai apontar todos os danos sofridos, será possível avaliar os recursos necessários para cada município. A previsão é de que o levantamento seja concluído em dez dias.

Mais um corpo é encontrado
Os bombeiros encontraram ontem o corpo do segundo morto em decorrência das chuvas em Guidoval. O produtor rural Genézio Cândido Martins Filho, de 42 anos, estava desaparecido desde a última segunda-feira, após ser levado pela enxurrada. Além dele, João Paulo Coelho, de 81, morreu em casa quando a água inundou o imóvel, na zona rural da cidade.

CRISTIANO TRAD

FOTO: CRISTIANO TRAD

BR-040 é uma das mais afetadas pelas chuvas
CRISTIANO TRAD
BR-040 é uma das mais afetadas pelas chuvas
INTERDITADO
Minas tem 105 trechos impedidos
Além das cidades atingidas pelas chuvas, as estradas que cortam Minas também apresentam problemas. Cerca de 105 trechos de rodovias estaduais e federais ficaram totalmente ou parcialmente interditados ontem. As MGs foram as mais afetadas, com 80 trechos parcialmente interditados e 11 totalmente fechados. Nas BRs, há três trechos totalmente interditados e 11 parcialmente fechados.

O ponto mais complicado era na BR-040, que liga a capital ao Rio de Janeiro – o congestionamento chegou a 10 km nos dois sentidos. Na altura do KM 583, em Itabirito, na região Central, o trânsito ficou interditado por duas horas. Ele foi liberado parcialmente à noite, mas será interrompido novamente hoje para obras. Os motoristas que passarem pelo local devem desviar por Lavras e São João del Rei e retornar para a 040. O desvio aumenta o trajeto em 200 km.

Quem tentou passar pela 040 sofreu com a demora. De acordo com empresas de ônibus que fazem viagens de Belo Horizonte para o Rio, o trajeto que, em média leva sete horas, nos últimos três dias, tem demorado até 15 horas. A professora Elenice Borges, que voltava de Conselheiro Lafaiete para a capital, foi vítima dos atrasos. “Parei na BR-040 várias vezes. Demorei quatro horas para fazer um trecho que geralmente levo uma hora”.

Caiçara
A prefeitura da capital informou ontem que os moradores do edifício do Carmo, que desabou na última segunda-feira no bairro Caiçara, na região Noroeste, terão de arcar com a remoção dos entulhos do prédio. No Gutierrez, na região Oeste, moradores do edifício Tetela entraram na Justiça pedindo que a prefeitura e a Copasa se responsabilizem pelos danos causados no prédio, desde que uma cratera se abriu no local em dezembro.

Anel
Por causa dos riscos de deslizamento, a Prefeitura de Belo Horizonte vai retirar de forma emergencial 13 famílias que moram na Vila Cachoeirinha, às margens do viaduto São Francisco, no Anel Rodoviário. Até ontem, cinco delas haviam deixado o local. A medida foi tomada ontem. Técnicos constataram que, se houver novas quedas de terra abaixo da rodovia, as trincas e rachaduras no asfalto poderão aumentar.

GERMANO BUENO REZENDE/TWITTER
Ruas alagadas em BH

Voltou a chover forte na tarde de ontem em Belo Horizonte. Em cerca de 30 minutos, um temporal com granizo derrubou árvores e alagou ruas. Na avenida Prudente de Morais, no bairro Cidade Jardim, na região Centro-Sul, o trânsito foi interditado após a queda de uma árvore. Um buraco se abriu na avenida Francisco Sales, no bairro Santa Efigênia.

Segundo o Instituto Tempo Clima PUC Minas, em alguns locais, a chuva superou os 50 mm. A região mais afetada foi a Leste, que apresentou o maior índice de precipitação – 82,8 mm. Segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), houve 138 ocorrências. No bairro Santa Tereza, na região Leste, a chuva provocou alagamento na rua Pouso Alegre. Os carros foram tomados pela água, que também invadiu casas e lojas. (Ricardo Vasconcelos/Iane Chaves)

Prédios no Buritis
Vidros, azulejos e pedaços de concreto caindo, acompanhados de fortes estalos na estrutura dos edifícios. Desde a última segunda-feira, essa é a situação presenciada pelos vizinhos dos prédios Vale dos Buritis e Art Vivre, no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. Há cerca de dois meses, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros condenaram as construções, que foram interditadas. Ontem, moradores fizeram um protesto pacífico pedindo a demolição dos prédios. A preocupação é a de que se houver o desmoronamento, vários outros imóveis sejam afetados. A Justiça ainda não autorizou a demolição.

JOÃO GODINHO

FOTO: SAMUEL AGUIAR

Bombeiros encontram segunda vítima em Ouro Preto
SAMUEL AGUIAR
Bombeiros encontram segunda vítima em Ouro Preto
TAXISTA É ACHADO
Bombeiros encontram corpo em Ouro Preto
Raphael Ramos
Enviado especial a Ouro Preto

O Corpo de Bombeiros localizou ontem a segunda vítima do deslizamento do morro São Francisco de Paula, o morro do Piolho, em Ouro Preto, na região Central de Minas. Trata-se do taxista Denílson Maciel de Araújo Silva, de 25 anos. A tragédia que aconteceu na madrugada da última segunda-feira também havia matado outro taxista. Os dois esperavam por clientes no Terminal Rodoviário 8 de Julho, que acabou parcialmente destruído por 60 mil toneladas de lama e pedras. A existência de um terceiro veículo soterrado foi descartada pelos militares.

Ponte Nova e Guaraciaba
Os moradores de Ponte Nova e Guaraciaba, na Zona da Mata, continuam sofrendo com a cheia do rio Piranga, que subiu 10 m acima do nível normal. Em Guaraciaba, já são mil desalojados, cerca de 40 famílias desabrigadas e seis casas destruídas, de acordo a Defesa Civil local. A única ponte da cidade está interditada. O transporte de alimentos e medicamentos está sendo feito através de botes. Ainda segundo o órgão, metade da população está sem luz e água potável.

Em Ponte Nova, das quatro pontes existentes, três estão interditadas, deixando 14 bairros isolados. A Defesa Civil informou que há 2.000 pessoas entre desabrigados e desalojados. O corpo de um morador levado pela correnteza na terça-feira continua desaparecido. (Com Iane Chaves)

FOLHA DE PONTE NOVA

Em Ponte Nova, 14 bairros estão isolados

Rio em Brumadinho subiu 9 m acima do normal
LEO FONTES
Rio em Brumadinho subiu 9 m acima do normal
Bairros isolados em Brumadinho

Em Brumadinho, na região metropolitana, ontem, o rio Paraopeba subiu 9 m acima do nível normal, isolando dez bairros. Segundo a Defesa Civil, 570 famílias – cerca de 3.000 pessoas – ficaram ilhadas ou desalojadas e precisaram ser transferidas para abrigos da prefeitura. O município decretou situação de emergência em dezembro. Voluntários ajudaram a fazer a entrega de medicamentos com jipes nas regiões mais afetadas, como os bairros Cohab, Santo Antônio e Santa Cruz. (Lucas Simões/Especial para o Super Notícia)

FOTO: Nelson Batista

Algumas casas já foram totalmente cobertas
Nelson Batista
Algumas casas já foram totalmente cobertas
Sofrimento evitável

Famílias que perderam tudo ou correm o risco de perder em decorrência das chuvas, no bairro Citrolândia, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, não precisariam passar por esse sofrimento. É que uma moradora recorreu ao Super Notícia, ontem, para mostrar um laudo realizado pela Defesa Civil, em janeiro de 2009, que atestou que a região estava em perigo iminente de inundação e que as famílias deveriam ser remanejadas imediatamente para outro local. Mas, segundo ela, nenhum morador foi procurado para tratar do assunto desde então. As reclamações não param por aí. De acordo com as famílias, o aluguel social oferecido pelo município, de R$ 350, é incompatível – inferior, no caso – com o valor praticado pelo mercado imobiliário da cidade.

“Minha casa tem dois pavimentos, sendo que o primeiro já foi todo coberto pela água e, agora, a metade do segundo já está inundada. Tive que levar meus principais pertences para o terraço. Dizem que estamos resistentes a deixar nossas residências, mas, além de sermos hostilizados pelas equipes da Defesa Civil, a prefeitura ainda tem a cara de pau de oferecer um auxílio-moradia de R$ 350. Nós, moradores, ligamos para 46 imobiliárias de Betim e cidades vizinhas, mas não encontramos um aluguel sequer por menos de R$ 430. A Prefeitura de Juatuba, que tem uma arrecadação infinitamente menor que a de Betim, oferece um salário mínimo para cada família. Como é que vou abrigar minha família toda com a miséria que oferecem aqui? Se for para deixar nossas casas, temos que sair com o mínimo de dignidade”, protestou Pricila Machado.

“Em janeiro de 2009, a Defesa Civil esteve aqui e fez um laudo registrando que deveríamos ser remanejados para outro lugar, porque o bairro já estava em risco de inundação, e que as casas deveriam ser demolidas. Mas, nesses três anos, ninguém da prefeitura nos procurou. Aliás, de terça para quarta-feira ficamos sem comida e ninguém do governo teve a capacidade de vir aqui para saber se precisávamos de algo. Estou com vergonha de tudo isso que estamos passando. Uma casa aqui do lado desabou porque não suportou a força da água. Não bastasse todo esse sofrimento, ainda somos maltratados. Em Betim só tem propaganda, mas fazer, que é bom, ninguém faz”, acrescentou.

Ainda de acordo com Pricila, os moradores estão se mobilizando para cobrar da atual gestão “uma solução mais digna”.

Questionada sobre as queixas, a Prefeitura de Betim informou somente que o valor oferecido aos moradores está de acordo com os critérios da resolução da Lei nº 5222, de dezembro de 2011.

Comprovado
Um laudo feito pela Defesa Civil de Betim em 7 de janeiro de 2009 atestou o perigo de inundação no Citrolândia. Nele, consta que moradores deveriam ser retirados do local e que casas deveriam ser demolidas.

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