O caso BRUNO

Depoimento. Bola foi ouvido ontem no Deosp sobre o plano de morte de cinco pessoas; o presidiário estava acompanhado do advogado
“Houve crime. Não tenho dúvida de que o corpo de Eliza não vai aparecer”. A frase é do novo advogado do goleiro Bruno Fernandes, Francisco Simim, que assumiu a defesa do jogador no início do mês e mudou a estratégia da defesa do acusado de matar a ex-namorada Eliza Samudio. Preso há um ano e cinco meses, essa é a primeira vez que algum dos envolvidos admite que Eliza realmente está morta – desde então, a teoria era de que ela teria desaparecido.

O goleiro, detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, faz 27 anos hoje e deposita no novo advogado a responsabilidade de provar que ele não teve participação no assassinato. “Seria uma bobagem negar que houve o crime. O corpo dessa moça nunca apareceu porque ela está morta, mas Bruno não é o mandante e não teve nada com isso. A última vez que Bruno viu Eliza, ela estava viva”, diz Simim.

Assim como a teoria antiga, a nova estratégia de defesa vai contra a tese da polícia, que defende que o goleiro encomendou o assassinato porque não queria assumir a paternidade do filho de Eliza, Bruno Samudio, hoje com 1 ano.

Sem dar detalhes, o novo advogado faz ainda uma ´previsão´ de que algum dos outros três acusados de participação no crime pode assumir a culpa durante o julgamento, que ainda não tem data marcada. Além de Bruno, continuam presos o ex-policial civil, Marcos Aparecido dos Santos, Bola, e o braço-direito do jogador, Luiz Henrique Romão, Macarrão. O primo de Bruno, Sérgio Sales, responde em liberdade. Todos negam envolvimento. Procurados, os advogados dos réus descartaram a hipótese de que algum deles assuma a responsabilidade pelo desaparecimento e morte de Eliza.

Defesa e derrotas. Antes de Simim, Bruno teve dois advogados. O primeiro foi Ércio Quaresma, que deixou o caso em novembro de 2010, quando foi suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), depois de assumir ser viciado em crack. Até novembro, o goleiro era defendido por Cláudio Dalledone, que deixou o caso por causa de ‘divergência com o cliente na elaboração da defesa’. Os dois negavam que a jovem estaria morta alegando falta de prova material, já que o corpo de Eliza nunca foi achado.

Bruno acumulou sucessivas derrotas na Justiça durante este ano; ele teve todos os pedidos de habeas corpus negado. O último foi em outubro, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora, a última chance de voltar às ruas antes do julgamento é conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), também em Brasília.

“Aguardo a publicação da decisão do STJ para entrar no STF. Tenho certeza que o Supremo colocará Bruno em liberdade”, prevê Simim. Ele afirma que, mesmo atrás das grades, recebe propostas de clubes nacionais e estrangeiros para voltar a jogar. “Não vou revelar quais clubes, mas ele acredita que vai retomar a carreira”.

Números
R$ 3,4 mi é o valor
que Bruno deixou de receber no Flamengo só com salários dos últimos 17 meses

R$ 9 mi é a quantia que ele poderia ganhar se fosse transferido para o Milan, da Itália

R$ 600 mil é a dívida com o filho. Bruno deveria depositar R$ 35 mil por mês para o menino

Faxineiro
Trabalho.
Desde julho, Bruno trabalha na cadeia e recebe R$ 408,75 para varrer e lavar celas. A cada três dias de trabalho, ele reduz um dia na pena de 4 anos e 6 meses em outra condenação, por agressão a Eliza, no Rio.

Aniversário
Jogador faz 27 anos hoje, na cadeia
Acostumado a comemorar o aniversário em grande estilo, com festa em boate e churrasco em casa, rodeado de craques do futebol e mulheres bonitas, Bruno terá de passar a data de hoje em branco pelo segundo ano consecutivo. O goleiro, que completa 27 anos, passará o dia sozinho na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem.

Neste fim de semana, o jogador irá receber a visita da noiva, Ingrid Oliveira. As filhas não irão encontrá-lo neste ano. Segundo a mãe das meninas, Dayanne de Souza, as duas veem o pai uma vez por mês, o que já aconteceu em dezembro. “Elas já tiveram o Natal com o pai e foi tudo bem. Ainda não sei se vamos passar a data em Belo Horizonte ou se vamos viajar”, disse. Dayanne e Bruno oficializaram a separação no último mês.

De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Bruno e os demais presos não terão nenhuma programação especial de fim de ano e só poderão receber visitas no Natal porque o feriado cai no fim de semana. (TT)

Plano
Polícia quer a acareação entre Bola e presidiário
Nos próximos dias, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, 45, acusado de ser o executor de Eliza Samudio, será colocado frente a frente com o presidiário Jaílson Alves de Oliveira, autor da denúncia de que Bola e o ex-goleiro Bruno Fernandes, 27, estariam planejando a morte da juíza Marixa Rodrigues e de outras quatro pessoas.

Ontem, em depoimento à Polícia Civil, Bola negou estar arquitetando os assassinatos. “Agora, queremos ouvir os dois juntos”, afirmou o delegado Islande Batista. O advogado de Bola, Ércio Quaresma, e um dos supostos alvos do plano de morte, deu declaração à polícia. “Isso não passa de uma ficção montada por Jaílson, que cumpre pena por latrocínio e quer obter vantagens na prisão”, afirmou Quaresma.

Ingrid de Oliveira, noiva do goleiro, também disse ontem desconhecer a ameaça. Na denúncia, Ingrid é apontada como a pessoa que acionaria Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, para executar as cinco pessoas. (Luciene Câmara/Especial para O TEMPO)

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